quarta-feira, 4 de junho de 2008

Jornalismo Colaborativo

A sociedade está cada vez mais crítica e participativa. Um fenômeno tem transformado o jornalismo. O cidadão tem participado ativamente dos conteúdos jornalísticos. Na internet isso tem sido bem comum. Várias pessoas estão escrevendo artigos, produzindo matérias e fotos.
A participação do internalta começa na seleção do conteúdo a ser lido. Cada leitor é seu próprio editor. A ferramenta RSS Feed, que já é altamente utilizada, permite uma escolha por parte dos usuários. O público está recebendo notícias até pelo celular, estão cada vez mais interligados com os sites de notícias.
O que implica é a credibilidade que tem esses materiais enviados pelos espectadores. O Presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo Augusto Camargo, disse em entrevista ao jornalista Rodrigo Martins, repórter do Estadão, que existe uma paranóia de todo mundo fazer notícia. “É preciso conhecimento técnico, adquirido na faculdade de jornalismo. 99% dos internautas que publicam esse tipo de conteúdo só emitem opiniões. Eles não fazem entrevistas, não ouvem todos os lados dos fatos. Isso não é jornalismo.”
No Brasil, as empresas de comunicação estão abrindo espaço para a participação de seus consumidores, pois não é preciso fazer grandes investimentos. O cidadão participativo dá dicas de reportagens e manda fotos de acontecimentos que dificilmente um jornalista chegaria à tempo, afirma a gerente de Conteúdo do IG, Alessandra Blanco.
O canal “vc repórter” costuma receber cerca de 30 participações por dia, entre textos, fotos e vídeos, expõe o diretor de conteúdo do Terra Antônio Prada em entrevista ao Estadão.
A tecnologia permite que muitas pessoas saiam do anonimato. È o caso de Blogs, espaço do leitor nas mídias, que permite uma exposição maior das idéias dos espectadores. A interatividade com o público sempre aconteceu no rádio. O ouvinte participa da programação e sugere pautas. Isso não aconteceu antes com os outros meios de comunicação de massa, por falta de recursos e uma visão antiga de que o cidadão só recebia a mensagem sem expor sua opinião publicamente.
Cabe aos diretores das redações verificarem os conteúdos recebidos antes de publicá-los. Pode ocorrer de muitos boatos serem publicados, plágios. Muitas pessoas que participam reproduzem matérias já publicadas, porém da forma que foi entendido, ou o que ele achou que tenha faltado. Cássio Politi, ombudsman do site Comunique-se, explica que quando um jornalista publica um texto é preciso estar atento que, os leitores têm o direito e o espaço de comentar o que leram.
O jornalista Asdrúbal Figueiró, da BBC Brasil, disse ao site opinião e notícia que a BBC investe muito na criação de canais que o usuário produza jornalismo – lembrando – que na cobertura dos maremotos na Indonésia e atentados em londres a BBC usou material feito pelos seus usuários. “Internautas escrevem, também, reportagens, que são publicadas no site da BBC. Em sites brasileiros, essa tendência pode ser observada na seção comumente batizada de “mais lidas”, que elenca as matérias preferidas dos leitores em um lugar de destaque em relação a outras informações disponibilizadas”, afirmou.
O jornalismo cidadão veio para ficar. As pessoas que antes eram leitores estão gostando de participar. Um fator que tem ajudado neste fenômeno, é que com matérias publicadas, os indivíduos estão deixando de ser anônimos.
O fato é que os jornalistas não conseguirão impedir essa participação. Cabe aos jornalistas trabalharem em conjunto com o cidadão participante, para que tudo seja dentro dos padrões. Entretanto, as opiniões expressas não devem sofrer interferências, somente as matérias. Os receptores deixaram de ser apenas consumidores e passaram a ser produtores. Para os meios de comunicação, acaba sendo uma forma rentável de fazer jornalismo.

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